DESVIADOS DE QUEM É A CULPA?

Por Gildo de Souza

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Milhões de ovelhas desgarradas se separam do rebanho levados pelo desânimo, descrédito e magóas.

A SAGA DOS DESVIADOS

A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo da batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras”.

Passado quase cinco anos, a realidade na igreja não mudou. Pelo  contrário, o numero de crentes  desviados e abandonados cresce a cada dia.  Esses ”desviados” são pessoas que um dia tiveram os seus nomes no rol de membros de um grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja. Estima-se que,  atualmente, esse grupo forme um imenso contingente de quase 40 milhões de pessoas sem perspectivas de vida esperitual.

Para o pastor da Primeira Batista em Campo Grande e vice-presidende da AEVB-MS (  Associação Evangélica Brasileira) Ronaldo  Leite Batista diz que muito dos desviados saem das igrejas por se decepcionarem com algum líder ou membro de sua igreja deixando  de fazer a vontade de Deus . Essas Atitudes são tomadas por que a grande maioria resolve quardar em segredo seus pecados ocultos. Atitudes essas que jogam centenas de almas no mundo diariamente. Segundo o pastor Ronaldo, a igreja onde ele pastoreia hoje desenvolve um trabalho estratégico especialmente voltado para a reconquista de desviados, nunca na história brasileira tanta gente se converte a Cristo como agora. Cruzadas evangélicas lotam espaços públicos e estádios como nunca se viu antes. Contam-se em milhões os membros congregados das igrejas evangélicas. “Sem duvida, esses novos convertidos precisam de uma igreja para congregar, completa o partor. Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos do Cristianismo Global (Center for the Study of Global Christianity), nos Estados Unidos, revelou o crescimento do Cristianismo no mundo, porém mostrou outra dura realidade enfrentada dentro das igrejas.

A pesquisa, que recebeu o nome de “Cristandade em seu contexto global, 1970-2010”, foi realizada com dados de 1970 a 2010, e mostra que apesar da diminuição da religiosidade na Europa, houve um crescimento significativo de Cristãos na África e na Ásia. Na América Latina, porém, a quantidade de cristãos se manteve estável e, ainda segundo a pesquisa, em 2020 haverá 2,2 bilhões de cristãos e 25% deles (700 milhões) serão pentecostais e carismáticos.

 

Em contrapartida ao aumento do número de cristãos, há cinco anos, estimava-se que existia entre 30 e 40 milhões de desviados no Brasil. Os motivos para se desviarem são variados, a instituição cristã Life Way realizou um estudo, também nos EUA, para descobrir os fatores que influenciam na decisão de não mais ir à igreja. Segundo o levantamento, 59% das pessoas decidiram abandonar a casa de Deus por causa da mudança de situação de vida (transferência de cidade, divórcio, nascimento de filhos, morte na família etc). Em torno de  37% dos entrevistados alegaram que foram desapontados por membros e pastores, e 19% estavam ocupados demais para participar das atividades de igreja. Por fim, 17% disseram que as responsabilidades da casa e a família contribuíram para o afastamento.

 

Conforme dados da Sepal - Serviço de Evangelização Para América Latina - cresce a cada dia o número de sem Igrejas, fato destacado no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010 e confirmado pela última estatística da FGV - Fundação Getúlio Vargas - sobre o novo perfil da religião no país. Já um estudo do pastor mineiro Sinfrônio Jardim Neto, Líder do Ministério "Jesus não desistiu de você" numa igreja de 10 anos de funcionamento que tenha mantido uma média de 200 membros viu passar em seu rol ao longo dessa década o dobro desse número. Ou seja, para cada cristão em  comunhão, há dois fora da comunhão. E qual é o papel da igreja nesses casos? E o papel dos líderes, pastores, diáconos, bispos ou simplesmente os irmãos cristãos?

 

A gota d´agua

Muitos cristãos abondonam a Igreja por terem perguntas inquietantes sobre a sua própria fé, dúvidas essas que não são facilmente resolvidas permitindo assim que outras coisas da vida se tornam mais importantes do que o relacionamento com Deus.

Outro detalhe importante é que o principal fruto que as  igrejas legalistas  têm colhido é o de magoar as ovelhas e fazer crescer ainda mais  o número de desviados. Deixando de prestar o devido cuido e atenção aos jovens, incentivando, não só em palavras, mas com atitudes, não somente com cobranças de doutrinas, mas com respeito merecido.

A juventude contemporânea que assiste na TV as ofertas inovadoras, o marketing das tentações e não cansa de novidades em ritimos acelerado, sem falar da má influência, dificilmente se concentra com atenção  nos cultos repetitivos de algumas igrejas. A liturgia eclesiástica, ou seja, o culto oficial instituído por uma igreja, em sua essência, quando não busca em excesso de espiritualidade, só encontra regozijo quando recebe a visita de um pregador de “fora” com testemunho extravagante e surpreendente. Fora esses espetáculos, a Igreja volta se arrastando aos seus domingos eternos sem muita novidade.

A comunidade evangélica tem seu nítido objetivo de ganhar almas que estão perdidas no mundo para Jesus, em alguns casos, parece não haver muito incentivo para mantê-las na Igreja. A igreja parece viver um momento de cada um por si e Deus por todos. O amor, ingrediente indispensável em qualquer convivência, não transmite mais o seu calor no meio de muitos evangélicos. Vive-se muito em prol de si mesmo. As convenções e reuniões de portas fechadas perderam o amor ágape, elo primordial da unidade cristã.

São muitas as causas para o abondono da fé afirma pastor Ronaldo Batista e a principal delas é o pecado. Pessoas foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas cujos líderes zelosamente disciplinaram com exagero pequenas contravenções isso na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o pecador junto com o pecado.

Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com ressentimento e falta de perdão. Não voltaram porque não conseguem perdoar, ou acham que não merecem perdão. “As vezes o peso que esta sobre a pessoa torna-se imperdoável” explica pastor Ronaldo. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado e muitos com um decreto como esse jamais tentará uma reconciliação com o Senhor.  Passa a praticar os mais baixos pecados, porque pensa que já está condenado ao inferno, restando apenas curtir os seus dias na terra. Outra causa para o apartheid espiritual de muitos é a decepção com a liderança.  O membro procura alguém para confessar o seu pecado ou fraqueza e, em vez de receber o perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação.

As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma “palavra de Deus” de cura. Pouco tempo depois a criança morre. Ela  fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e algum tempo depois percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Essas pessoas em vez de se decepcionar com o homem se decepciona – se com Deus e sai da comunhão.

INDICES QUE ASSUSTAM

- Há hoje, apenas no Brasil, entre 30 a 40 milhões de pessoas que um dia frequentaram alguma Igreja evangélica;

- A porcentagem de desviados que retorna à Igreja não passa de 10% no Brasil;

- Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da Igreja;

- Entre 30% e 40% receberam de uma a três visitas, que revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação;

- Hospícios e presídios são lugares de destino de boa parte dos desviados;

- De cada 10 andarilhos, 3 deles frequentaram alguma igreja um dia;

- A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança

 

EM BUSCA DA OVELHA PERDIDA

Depois que experimentaram a expulsão do “paraíso” , poucos desviados conseguem encontrar um lugar de arrependimento. Se forem depender de boa parte da Igreja para regressarem para o aprisco, essas ovelhas correm sério risco de serem levadas para um caminho ainda mais afastado de Deus. Hoje, a maioria das Igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. São raros os líderes que pensam em deixar as 99 ovelhas para sair atrás da centésima, extraviada.

Entre 60% e 70% dos desviados não receberam visita de lideres ou membros após sair da Igreja. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros. O restante dos desvidos (30% e 40%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque, na maioria das vezes, resultam em cobrança e condenação. A falta de visão de restauração descrita na Biblia é ignorada nesses casos.  A busca por ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas, isto porque quando o membro  sai, geralmente sai falando mal da Igreja ou do pastor. Acaba ficando malvisto dentro da própria Igreja que, em vez de amá-lo  e perdoá-lo passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular  e corre o risco de também ser malvisto. E pouco estão dispostos a isso.

Pensando em milhões de desviados muitas Igrejas promovem cultos de reconciliação e cruzadas visando a reintegração daqueles que, por um motivo ou outro, abondaram a Igreja.

O sucesso do retorno do desviado depende basicamente da atitude da Igreja. A porcentagem de desviados que retorna a Igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a Igreja tomar uma atitude de buscá-los, consegue até 80% e com sucesso. Precisamos como igreja fazer cumprir aquilo que está estabelecido na palavra, o IDE de Jesus é para todos.

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